Imagine-se em uma cidade totalmente diferente da sua, onde você não conhece absolutamente nada, e depende exclusivamente do seu namorado para se locomover de um lado para outro. Imagine-se também, em uma manhã de domingo, passeando em um parque ao lado dele, andando de balanço feito criança, e de uma hora para outra, ele começa a se afastar de você. Você o vê andar em uma direção desconhecida, e começa a segui-lo. Mas derrepente, ele some. E você não tem a mínima idéia de onde ele possa estar. Em um gesto quase que automático, você pega o celular e liga para ele, que não lhe atende. Você espera 5, 10, 15 minutos e nada dele aparecer.
Isso nunca havia acontrecido durante os 5 anos de história juntos. Você não sabe o que houve, então contra todas as regras de higiene que lhe ensinaram, se encosta naquele parede imunda e desliza até o chão. Você sentada, começa a pensar nos motivos que ele teria para fazer algo assim, motivos esses, que após 30 minutos pensando, você realmente tem certeza que não existiam. Nessa hora, a raiva começa a tomar conta de você, e aquele sentimento de independência, de que se exploda o mundo, fala mais alto. Você começa andar sem rumo, e andando, descobre que está a uma quadra da rodoviária. No que você decide atravessar a rua e comprar uma passagem de volta para casa, o estranho acontece. Uma amiga sua casualmente está na cidade, e vocês começam a conversar.
Quando você está prestes a contar o desaparecimento dele a sua amiga, um homem alto, magro, e que de algum lugar parecia que você o conhecia, se aproxima e pergunta se você era a fulana, namorada do ciclano. Você diz que sim, e nessa hora começa a pensar no pior (-Quem sabe um carro o atropelou? Quem sabe um ladrão o roubou? Quem sabe ainda, ele tenha sido morto!). O estranho olha então para você, e com toda a calma do mundo lhe diz: Olá fulana, meu nome é beltrano, e vim aqui a pedido do ciclano, terminar com você. Ele disse que tentou várias vezes, mas que você nunca o deixava falar. E que por medo de uma reação exagerada da sua parte, o melhor era eu, tratar desse assunto, já que somos namorados há mais ou menos dois anos, em uma relação secreta, que graças a você, nunca pode se perpetuar decentemente. Espero que agora, após finamente saber o por que dele não ir te visitar todos os finais de semana, você o deixe em paz para viver ao meu lado.
Você após ter ouvido tudo isso, fica tão perplexa que lhe somem as palavras. Nessa hora, o indivíduo que despedaçou seu coração, entra em um carro e vai embora, enquanto você, começa a chorar compulsivamente, ao lado da sua amiga, que lhe consola.
Continua...