24.7.16

Peculiaridades.

Eu não acho que mereci passar na auto-escola. Também não acho que mereci passar no Mestrado. Nem passar na OAB. Nem ganhar uma Pós. Nem ter o emprego que tenho.  Nem conseguir a bolsa para cursar Direito. E a verdade é, que a única lembrança que tenho de achar que mereci algo, foi quando tendo superado mais de 300 candidatos em uma seleção de intercâmbio, e ficado entre os cinco finalistas, eu não passei. Curiosamente, não fiquei triste, achei que não merecia tal privilégio. As vezes sinto que não mereço a mãe e o marido que tenho.  Porque não me sinto merecedora de nada? Sempre acho que foi Deus quem me deu, e que eu devia ter me esforçado mais para conseguir. O fato, é que mesmo se eu me esforçar MUITO, sempre acharei que não é o suficiente. Se acordo as 06h00, penso que devia ter acordado as 05h00. Não queria ser assim.

...

23h16 e terminei por hoje. Engraçado como eu não me valorizo academicamente. Escrevi 29 páginas e fiz 71 citações. Consegui 3 folhas de word de bibliografia cheias. Todas consultadas. Mas mesmo assim, sinto que meu trabalho carece de cientificidade. Que poderia ser melhor. Sempre tudo que faço poderia ser feito de uma maneira mais perfeita. Da mesma forma que tenho problemas com números. O rádio precisa estar no volume 05, 10, 15, 20.. assim como o despertador quando eu levanto da cama. Posso acordar 05h52, mas levanto 05h55 ou 06h00, ou 06h05, ou 06h10.. sempre nessa sequência de zeros e cincos. Os travesseiros do sofá precisam estar alinhados. A manta da cama também. Os controles da sala e os itens do banheiro organizados em ordem crescente. A roupa precisa ser estendida de uma forma x. Os itens de limpeza da pia e do tanque de uma forma y. Detesto tapetes. Detesto cortinas. Detesto panos de qualquer espécie na pia (e lixo também). Detesto toalhas penduradas em banheiros. Detesto alimentos abertos em sacos plásticos ou no saco de origem se abertos, preciso, desesperadamente, colocá-los em potes. As vezes penso que sou uma pessoa estranha.

Pois é..

Mais um domingo. E eu aqui. Em frente ao computador. Mais porque preciso do que porque eu quero. Preciso escrever 5 páginas. Rabisquei 3. Parece simples, mas não é. Eu não sei mais o que fazer com a minha dissertação. Tenho mais uma semana para escrever 10 páginas além dessas 5, e não sei o que dizer. Quando penso em mais 80 que enfrentarei nos próximos meses, tenho ânsia de vômito. A verdade é, que não aguento mais. Estou entrando em depressão por causa do Mestrado. Tenho tentado falar pouco, pois parece que cada frase que profiro é acompanhada de 3 reclamações. Não sou esse tipo de pessoa, mas com toda essa crise e perspectiva ruim assolando o país, não sei até que ponto vale a pena estudar. Me sinto traída. Aquela velha frase: Estude para não trabalhar na produção, é válida até que ponto? Se pessoas da produção ganham mais do que quem tem diploma? Desânimo. Peço a Deus que me dê forças para continuar. Apenas isso!

17.7.16

Pois é..

E aí todo clichêzinho lhe diz: "Tome um modelo elevado", ande com pessoas inteligentes e blábláblá. Mas não é bem assim. Porque verdade é, que existe o outro lado: o da comparação. Ao mesmo tempo em que isso te dá um gás tremendo para conquistar espaços que você nem sabia que existiam, também serve para afetar a sua autoestima e o seu pootencial criativo. Pois embora se esforce e faça o seu melhor, parece que nunca é suficiente para alcançar bons resultados. Estou farta desse universo competitivo. Queria andar com pessoas normais, que possuem ritmos de produção normais..

10.7.16

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O que me assusta é que eu esperei ansiosamente pela chegada do meu celular novo. Até que ele chegou e eu não precisei mais esperar. O curioso foi que toda aquela felicidade que imaginei que sentiria, durou apenas cinco minutos. E aí então, naquele instante, entendi o que Bauman dizia sobre a liquidez do sentimento..

:(

Parece que foi ontem que escrevi pela última vez nesse Blog. E descubro que faz um mês desde a última postagem. 10 dias é o que tenho, para entregar 40 páginas escritas ao meu orientador. O que eu tenho? Melhor nem comentar a respeito. Estou cansada da dissertação. Estou cansada do Mestrado. Só quero que acabe. E me sinto horrível por sentir isso, pois era algo que eu sempre quis fazer e pensei que me faria muito feliz. Mas agora.. virou um pesadelo. Cada artigo que escrevo, cada evento que participo.. me fazem pensar no porque estou fazendo isso. Qual contribuição estarei dando ao mundo, e quando penso no mundo, vejo que é inútil. Tenho andado desanimada com o mercado profissional. Com o quanto é preciso lutar para auferir um salário digno. E só não desisto do Direito, porque esse é o 7º ano que me vejo envolvida com ele. Mas as vezes.. mesmo sabendo disso, confesso que a vontade é grande! Eu apenas quero poder colher os frutos do meu estudo. Parar de construir e poder finalmente usufruir. Estou cansada. E o que me preocupa é o fato de pouco a pouco estar perdendo o amor, a paixão, a força motriz que me fez escolher esse curso.