Duas pessoas compartilham um mesmo
sentimento. Ela sabe que ele sente algo por ela. Assim como ele sabe que ela
sente algo por ele. Os dois possuem o desejo e o conhecimento. Eles se
encontram seguidamente para conversar. Durante horas falam sobre tudo, exceto
sobre eles. Muitos olhares são trocados. E o desfecho é sempre igual: afagos,
beijos e carícias. Que são trocados com intensidade. Mas claro que, no universo
utópico de suas imaginações.
Se perguntam se haverá um dia em que farão
de verdade aquilo que apenas anseiam. Percebem que se dão bem. Que poderiam se
dar melhor ainda. Para ele não existe ninguém mais adequado que ela. E para ela
não existe ninguém mais legal do que ele. São tão parecidos! E juntos percebem
que iguais são mais interessantes que opostos.
Ele não pode falar para ninguém o que sente
por ela. Ninguém o compreenderia. Diriam que se trata de um amor impossível e
antes que ele pudesse defender sua legitimidade, o matariam! Ela não pode falar
para ninguém o que sente por ele. Diriam que se trata de um amor impróprio. Que
não deveria existir. A olhariam com olhares preconceituosos, como se amar, em
sua mais singela forma, fosse crime.
Juntos compartilham sua dor. Palavras
jamais foram ditas. Não houve um diálogo de amor. O sentimento existe. A
química o comprova. A biologia o reconhece. Não há como negar! Ele se pergunta
como falará sobre isso com ela. E cada dia que passa sem uma declaração
expressa do que sente e almeja que aconteça... é uma angustia! Ela deseja
tornar público seu afeto. Quer que ele ouça de sua boca que ela o ama. E que
sobretudo, o deseja. Mas também se pergunta como falará sobre isso com ele.
Ambos vivem um momento conturbado. O de não
saber o que fazer. Um olhar já não basta. Palavras seriam desnecessárias, mas
sem elas, como dar o próximo passo? Como conseguirão converter em letras, de
forma real e profunda, aquilo que sempre foi um sentimento? Isso os angustia.
Que o amor poderia ser mais simples é tudo que pensam. Passam horas tentando
entende-lo. Ela não sabe o drama interno que ele vivencia! Ele não sabe o rebuliço
de emoções que ela enfrenta!
E assim, como se nada fosse, em uma quinta
feira dessas que ocorrem sempre por aí, em um momento qualquer, eles saíram
juntos. Inicialmente para falar sobre tudo, exceto sobre eles. Mas quando já
estavam a meia hora tentando chegar em um consenso, desistiram daquilo e se
olharam. Naquele momento não foi preciso palavras. O beijo aconteceu. Melhor do
que o esperado. Longo. Suave. Demonstrando o quanto ansiavam por aquele
momento. Talvez durou bastante para que ele não acabasse e precisassem
conversar. Mas acabou. Ficaram em silêncio por um minuto. Logo em seguida ela
disse: Vamos fazer uma vírgula? E da mesma forma com que ele a entendia quando
se comunicavam apenas com o olhar, ele entendeu que ela estava na verdade
dizendo: Não precisamos ser apenas amigos, podemos ser algo mais...
Por G.K.B.
Escrito em 21/06/2013.


