Era um homem amável e delicado, ansioso por agradar e
ser aceito, por isso tinha imaginado todas as formas possíveis de fazer amor
sem usar os lábios. Transformara as mãos e todo o resto de seu corpo pesado em
um instrumento muito sensível, capaz de aconchegar uma mulher bem disposta, até
culminá-la de felicidade. Esse encontro foi tão definitivo para nós dois, que
poderia ter sido uma cerimônia solene, mas em troca, foi alegre e risonha.
Penetramos juntos em um espaço próprio, onde inexistia o tempo natural, e
durante aquelas horas magníficas, pudemos viver em absoluta intimidade, sem
pensar em outra coisa além de nós mesmos, dois companheiros impudicos e
brincalhões, dando e recebendo.
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