5.6.16

Sobre a Vida..

Passei minha graduação inteira querendo ingressar no Mestrado. O ano de 2014 quase me matou. Eu estava obcecada em conseguir uma bolsa de estudos. Fazia 1001 planos a respeito da pessoa que eu me tornaria, se conseguisse ingressar no Programa. A angústia era tanta, que adoeci. Quase não consegui fazer a prova escrita e na entrevista oral, quase desmaiei. A única frase que tinha na minha cabeça era dignidade. Que se eu não passasse, que reprovasse com dignidade, sem envergonhar meu Grupo de Pesquisa e meu Orientador. E eis.. que o milagre aconteceu: EU PASSEI. E assim, em Março de 2015 inicio o Mestrado, me tornando, Mestranda. O primeiro semestre me levou a um abismo depressivo profundo. Nunca antes, em toda a minha existência, me senti tão ignorante e incapaz. Ignorante no sentido de ignorar inúmeros autores e obras, contexto histórico e político, que aparentemente, todos os meus colegas conheciam; exceto EU. Me senti um peixe fora d'água. Eu que sempre fazia apresentações brilhantes, fiz as piores e inimagináveis apresentações da minha vida. Desaprendi a escrever e tinha vergonha de estar naquela turma, sentindo-me uma verdadeira "não merecedora" da bolsa que recebi. Nesse intercurso, eu ganho uma Pós Graduação. E além do Mestrado e do meu trabalho, preciso conciliá-la. Surgem atividades extracurriculares como jamais imaginei que pudessem surgir. A necessidade da proficiência em outro idioma me desespera e me matriculo no inglês. E ainda.. para completar.. tinha a OAB e a CNH. É preciso deixar claro que eu sempre classifiquei a vida de duas maneiras: ANTES DA CNH e DEPOIS DA CNH. Talvez o episódio mais tenso de toda a minha existência, tenha sido isso, obter minha carteira de habilitação (que falerei em outro momento). Enfim, depois disso, no último trimestre do ano, as coisas pioram.. pioram.. e pioram. Mas eu consigo a OAB, a CNH, e finalizar os artigos da disciplina. Também publico em alguns lugares, descubro um tema que abraço como causa para escrever e ainda finalizo o projeto. E assim termina 2015 e surge 2016. O ano que deveria ser tranquilo, porque vejam bem, já havia me tornado advogada e motorista e isso deveria simplificar a minha vida.. mas não.. a vida como sempre, me prega peças.. e agora, em meados de Junho, eu preciso escrever. Preciso desesperamente escrever.. e não consigo. E todos os sentimento de "não me sinto merecedora", poderia ter feito isso ou aquilo retornam.. e com eles, a culpa da procrastinação, dos momentos de lazer.

Porque sempre acho que posso fazer melhor do que tenho feito? Porque eu não consigo relaxar sem culpa? Porque eu sempre tenho 1001 ocupações diferentes? Porque a minha vida tem que ser tão corrida, tão confusa e ao mesmo tempo tão conturbada? 

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